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domingo, 26 de agosto de 2012

Sindrome de Peter Pan




Em busca da Terra do Nunca
Peter Pan pode ser doce e irresistível. O problema é quando ele resolve brincar de Capitão Gancho

Por: Fernando Torres

Peter Pan, o menino que não queria crescer, abarcou uma legião de seguidores em pleno século 21. São os “tios”, trintões e quarentões que ainda dependem dos pais, agem e se vestem como adolescentes, dedicam horas consideráveis à academia, adiam eternamente as responsabilidades (o casamento é uma delas), nunca param em um emprego e escondem a idade verdadeira a sete chaves. Soa familiar?

Esses eternos adolescentes sofrem da Síndrome de Peter Pan, um transtorno no qual as pessoas se recusam a aceitar sua idade real. “Eles têm uma visão distorcida do que é ‘normal’ para a sua idade e não conseguem cogitar a hipótese de assumir as obrigações da vida adulta”, explica a psicóloga Neila Costa. O resultado é um adulto imaturo, narcisista, egoísta e irresponsável – um menino em corpo de homem.

O problema da Síndrome de Peter Pan não é o envelhecimento físico (apesar de esta também ser uma luta da sociedade atual, como mostra o quadro ao lado). No caso da Síndrome, a dificuldade é de amadurecimento pessoal, em vários níveis psicológicos. “Na verdade, o lado moleque desse indivíduo revela a sua insegurança e o seu temor para lidar com situações que exijam maturidade” denuncia Neila.

HOMEM-MENINO

A rigor, a Síndrome de Peter Pan é predominante no sexo masculino. Apesar de não haver uma resposta universal para isso, entende-se que, por motivos biológicos, a mulher amadurece naturalmente mais cedo. O córtex pré-frontal das meninas, por exemplo, sai na frente em relação ao dos meninos. Por isso, elas conseguem desenvolver mais cedo o raciocínio abstrato e o controle dos impulsos. Com uma fase de amadurecimento mais tardia, o tempo possibilita ao menino “escolher”, por assim dizer, adiar essa etapa, o que leva ao desenvolvimento da Síndrome na construção de sua personalidade.

No entanto, a educação familiar e o contexto em que esse garoto viveu com certeza irão influenciar. “Uma mãe superprotetora, por exemplo, pode fortalecer essa tendência”, aponta a psicóloga Neila. Constatação óbvia: por trás de um homem-menino, é bem provável que haja uma mãe, que continua arrumando o seu quarto, dando palpite nas suas relações amorosas e ajudando-o financeiramente.

Se os homens são os “meninões” por excelência, são as mulheres que sofrem com isso – afinal, são elas que vão lidar com um parceiro infantilizado, que não está nem aí para o próprio comportamento. Mas, em geral, basta um rostinho bonito, um sorriso doce e uma dose de charme para Wendy cair na lábia de Peter Pan e voar com ele para a Terra do Nunca. Tudo vai bem, até ele resolver brincar de Capitão Gancho.

A armadilha se torna mais perigosa, se essa Wendy é, na verdade, uma Cinderela. É que, entre as mulheres, a tendência é o desenvolvimento do Complexo de Cinderela. Nessa síndrome, a mulher cresce acreditando na ilusão de que irá encontrar um príncipe encantado: o homem perfeito. Imagine a confusão se ela decide que esse parceiro irresistível é o Peter.


BOM MENINO

Ao aprender a lidar com as suas emoções, Peter pode vir a ser um bom menino. Se ele vier a estudar, trabalhar, enfim, construir algo com suas próprias mãos, o jeito carpe diem de levar a vida pode ser um atributo positivo e não-negativo. Por exemplo: ele irá desempenhar a sua função profissional com responsabilidade, mas sem monotonia.

É importante, porém, desestimular a fantasia e cair na real. Na prática, isso significa riscar da mente a idéia de que vai ganhar na loteria, casar-se com uma milionária e viver às custas dela ou, então, ganhar a vida viajando. Via de regra, só obtém sucesso quem trabalha duro.

Em estágios mais avançados, o homem Peter Pan pode precisar de ajuda profissional. Segundo a psicóloga Neila Costa, a abordagem formulada pelo psicólogo Karl Rogers é a mais adequada para o tratamento. “Dentro dessa linha de terapia, existem três elementos fundamentais: a empatia, a consideração positiva incondicional (atitude de aceitação) e a congruência (o terapeuta comunica suas próprias sensações e percepções ao paciente)”, expõe{.}

SOCORRO, EU ENVELHECI!

Não confunda a Síndrome de Peter Pan com o medo de envelhecer, cada vez mais freqüente em nossa sociedade. Neste último caso, as maiores vítimas são as mulheres, que enfrentam cobranças sociais desumanas, e vem daí a busca incessante pela beleza e juventude. “Quando essa busca está ligada às questões emocionais menos conscientes, os resultados podem ser catastróficos, e motivar doenças como depressão ou distúrbios de autopercepção”, avisa a psicóloga Rosilene Lima.

Mas, cedo ou tarde, todos irão perder o vigor da pele. Por isso, o melhor a se fazer é se preparar para lidar com o envelhecimento, desde o que diz respeito à saúde física, mental e espiritual. Tenha em mente o conceito de processo, já que ninguém envelhece de um dia para o outro. “A palavra processo nos permite uma melhor conscientização e preparação que devem ser pensadas e colocadas em prática durante toda uma vida”, ensina Rosilene.

Aos Pais

Dicas para evitar que seu filho voe para a Terra do Nunca

• Não o acostume a dormir na mesma cama que você.

• Quando ele começar a andar, troque rapidamente o berço por uma cama.

• Fique de olhos nos mimos dos avós.

• Não use chupeta ou mamadeira após os 2 anos.

• O mesmo vale para as fraldas, com limite de até 3 anos.

• Permita que a criança tenha fantasias, mas deixe bem claro os limites entre

realidade e imaginação.

Consultoria: Psicóloga Neila Costa


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RÔ Carvalho.

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