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sábado, 31 de março de 2012

Superando traumas da separação.



Superando Traumas da Separação
(PSICÓLOGO ORIENTA COMO LIDAR COM OS FILHOS E SUPERAR O TRAUMA).





A primeira coisa indispensável no tormento e drama de uma separação é o percebimento claro e profundo de que ambos perderam o referencial afetivo, se evitando culpar o outro pelo abandono ou separação. O ódio ou dor profunda de uma separação é mitigado pela consciência de que ambos foram quase que totalmente incapazes de efetivarem as expectativas do outro, ou pelo menos tentar chegar a um acordo parcial sobre as mesmas. A separação é encarada via de regra como uma derrota para alguns, e liberdade para outros. Ambos conceitos são parciais se refletirmos apuradamente sobre a questão. A separação nada mais é do que um verdadeiro turbilhão de todo tipo de emoção conflitiva, positiva ou negativa, assolando ou testando o emocional do indivíduo até o mais puro limite da tolerância. Angústia extrema, ódio, raiva, vingança, inveja, inferioridade, culpa, arrependimento, alívio, medo, esperança, saudades, são alguns exemplos do que provêm da contenda originada. O desespero que se instala perante a situação muitas vezes não é prova de nenhuma saudade ou amor perdido, mas a certeza da incapacidade para estabelecer um novo relacionamento. Fala-se tanto na questão dos filhos e seu sofrimento. Sem dúvida alguma são inegáveis a perda e dor para a criança da presença contínua dos pais, mas muitos esquecem de lhes comunicarem o óbvio: que a relação não pertenceu jamais a eles, mas tão somente que os dois juntos remetem à sua origem biológica e afetiva.



Haveria uma diminuição radical de litígios se ambos se conscientizassem que no momento da separação ainda devem várias coisas ao outro; tanto material como emocionalmente. O leitor poderia neste ponto indagar sobre tal conceito ingênuo no furor da batalha, alegando o fato de como corroborar um compromisso fiel no final de algo que talvez jamais existiu? Porém, caso isto não ocorra, ambos serão lançados no mais puro “limbo” afetivo e emocional, com total comprometimento futuro dessas esferas. Embora haja sofrimento e conflito o tempo todo, a separação consensual é a última chance para que possamos doar algo de positivo para quem esteve ao nosso lado, caso contrário, o resultado será a perda total no mais amplo sentido. Neste momento tão difícil muitos não conseguem elaborar que a questão não passa apenas pela raiva ou abandono em relação a quem está ao lado, mas que a própria pessoa será totalmente afetada pelo acontecimento. A raiva deste modo é a primeira defesa contra a solidão e a sensação de rejeição, vindo seqüencialmente o ódio. A diferença entre raiva e ódio é que a primeira é puramente uma defesa psíquica contra uma frustração ou mágoa, tendo um limite de durabilidade; o ódio se torna um processo de longo prazo, sendo um cultivo duradouro da inconformidade. Embora muitos pensem que este movimento produza sofrimento constante, o fato é que se torna uma espécie de rotina ou distração para alguém que não sabe como resolver seu dilema afetivo. O problema final desse ódio todo é que será lançado justamente para alguém que desejando ou não, nos lembraremos pelo resto de nossas vidas, ou seja, é uma verdadeira armadilha para a saúde psíquica.



A posse, apego e resistência em não aceitar o desfecho por parte de um dos cônjuges, não significa apenas que está preso ou enfraquecido nessa relação, mas que sempre soube da sua falha e do outro no dia a dia emocional; não desejar neste caso a separação é evitar o tornar público sua dificuldade histórica da troca. Neste ponto do estudo cabe a famosa pergunta de que o caminho para superar uma relação desastrosa ou esquecer alguém é justamente conhecer outra pessoa? Apenas para alguns isto será possível, dependendo da maturidade e estado psicológico. Para pessoas que detém uma auto-estima positiva, não será difícil o recomeço, embora não deixe de ser uma tarefa espinhosa. Os que não conseguem superar facilmente tal etapa estão reféns de todo o trauma do ocorrido? Parcialmente, diria através de minha experiência clínica. A questão não é apenas a seqüela de algo que deu errado, mas um fluxo mental que impede novos contatos, gerando tédio e afastamento perante os outros. Como proteção do ego ou até espírito revanchista, a pessoa que se julgou injustiçada em sua relação pretérita tem a tendência de atrair um novo relacionamento onde detém totalmente o controle ou poder, evitando reviver a situação de inferioridade que dilacerou sua alma. O resultado é o tédio descrito e sensação de embotamento afetivo e sexual, construindo uma busca quase que infinita de uma imagem idealizada, que não o faça sofrer novamente.
Sem dúvida alguma não podemos atribuir somente ao psiquismo uma obstrução ou dificuldade para se obter a satisfação ou felicidade emocional. Todos sabemos da extrema dificuldade em nossos dias de se encontrar alguém realmente especial. A solidão caminha lado a lado com nossa fome afetiva, carência emocional e vontade de estar com alguém. Isto se torna uma contradição veemente; pessoas que estão ainda num relacionamento que se iniciou natimorto, e outras com expectativas de perfeição que jamais poderão se concretizar. Todos os referenciais econômicos de competição, sucesso e posse se alastraram por completo na esfera psíquica, como tenho pontuado em todos os meus trabalhos. A estrutura mental não é algo isolado ou indissolúvel do contexto social como a psicanálise de FREUD atestou com tanta ênfase; mas exatamente o contrário, um espelho mais do que fiel da estrutura vigente.



O núcleo do processo de separação é a angustiante sensação de estarmos completamente sozinhos, sendo que quase nada é mais difícil para um ser humano. Mas se tal fato é verdade, como explicarmos a verdadeira horda de solidão e timidez de nossa era? Será apenas para não sofrer novamente, conforme sublinhado anteriormente? Ninguém teme algo bom ou positivo, apenas quando se expõe o sentimento negativo, que pode ser aflorado no decorrer do relacionamento; por mais medíocre que seja este último, sempre irá nos revelar nosso verdadeiro e profundo caráter, entrando em choque direto com a educação para a dissimulação que recebemos nas mais diferentes etapas de nosso desenvolvimento. Todos frisam o tempo todo a frase: “quero ser feliz”; para a consecução de tal meta não poderá haver jamais o medo de si próprio ou de sua essência. Todos carregam um potencial para o prazer, assim como para uma vontade de destruir; felicidade é um misto de disciplina e atenção com o outro e nós mesmos. A hora exata da separação quase que pode ser calculada matematicamente; quando há o impedimento de um ou ambos de se doar o melhor e tentação para quase sempre se vivenciar o pior; quando a sensibilidade de um vira um instrumento de tortura para um outro insensível.



Retomando a problemática sobre os filhos, a questão não é tanto o dilema da perda dos pais, mas a intuição por parte da criança dessa troca do pior entre ambos. A dor para a criança passa a ser a reprodução do ódio dos pais em comportamentos totalmente não adaptados, seja na escola, amigos e família. A criança não é totalmente egoísta como muitos pensam, elas desejam realmente a satisfação afetiva dos pais, mesmo que não estejam mais juntos; sua única condição é que haja um espaço onde também possa participar dessa felicidade, pois o que mais teme é que com a separação, não tenha mais um canal para viver a satisfação com os adultos, se tornando excluída desse universo. Crianças traumatizadas pela separação necessitam constantemente atuar ou “brincar” com o fracasso emocional dos pais que testemunharam, usando da famosa chantagem emocional para obter atenção redobrada. Essa chantagem oriunda ou não de um genitor frustrado ou inconformado deve quase que ser ignorada. Sempre por mais difícil que pareça deve ser pontuado para a criança que se a mesma colocar o adulto na posição de escolher entre ela e seu novo relacionamento, este último terá absoluta prioridade, mesmo que não venha a dar certo no futuro. O adulto precisa explicar que tanto para o mesmo e a criança não seria saudável o engessamento e escravidão perante um único papel de pai. O ideal e até admirável é que tal função não fique concentrada apenas no filho, mas que expanda seu horizonte, buscando a satisfação emocional, sexual e prazer próprio.



A convivência forçada de um casal que não troca há muito tempo, apenas para manter uma pseudo-estrutura familiar é totalmente nociva para a criança, como sempre se salientou. O mais importante é que a mesma mantenha uma lembrança viva de pais que em algum momento conseguiram ter prazer e se divertiram no bom sentido, namorando, indo a festas e outras coisas, independentemente se a companhia é ou não o outro genitor. A criança sempre se revoltará e sentirá um terrível trauma ou conflito contra um adulto indolente na arte da comemoração e prazer, aliás, este fato tem sido sistematicamente negligenciado. O sacrifício só é válido na renúncia de algo puramente individual ou hedonista, nunca quando uma ação implica na obstrução da satisfação e felicidade de outro ser humano.



Outra questão que atormenta um casal no processo da separação é sobre se num futuro relacionamento irão reproduzir o mesmo desgaste ou fracasso. Apenas se estiverem ainda reféns do ódio ou mágoa como salientei anteriormente. O grande problema em qualquer relacionamento é a falta de profundidade do mesmo, pois se teme desvendar as emoções negativas. É muito simples falarmos de vingança ou ódio perante alguém que nos causou dano psíquico, porém, ninguém toca no fato de que isto também ocorre quando há uma plena dedicação para com o outro ou passividade. Quantos relatos me foram passados acerca do tédio de um dos parceiros pelo fato do outro satisfazer todas as suas vontades e não ter uma opinião ou conduta mais impositiva. Poderíamos navegar no senso comum dizendo da constante insatisfação do ser humano, mas o fato é o total despreparo perante emoções ou situações que geram o conflito. A tendência ao ilusionismo que a paixão gera, cega por completo a capacidade crítica perante a continuidade saudável da relação. Infelizmente quase ninguém quer a reflexão, apenas preencher seu apetite por sexo ou companhia, não pensando nos problemas futuros. Como exemplo cito a questão do ciúme, elemento corrosivo de qualquer amizade ou relação. A análise profunda do mesmo diz da transposição de todos os elementos de insegurança econômica e exclusão social que tememos diariamente para a esfera emocional; o sentimento passa por toda a impregnação das regras econômicas.



A separação deve ser encarada profundamente com humildade e um senso de limitação sobre o amor que doamos, nos conscientizando sobre um narcisismo falso desde tempos remotos que dizia que alguém se agregaria permanentemente à nossa pessoa por sermos tão especiais. Buscamos cegamente um amor ou dedicação plena do outro, nos esquecendo de que o mesmo é sempre o mais fiel espelho de nossas impurezas. O fato de muitos só descobrirem o valor da relação após um dos parceiros comunicar o desejo de se separar é como todos sabem puro apego e possessividade. Mas a raiz de tal desespero é a tentativa da pessoa em salvar uma espécie de “honra afetiva”; qualquer um sabe de que em determinada situação uma volta logo produziria desgaste ou desânimo, se tornando uma balança que pende inexoravelmente para o lado negativo da relação; a posse ou apego nada mais diz do que uma brutal somatória de orgulho internalizado na pessoa.



Outra razão que produz inevitavelmente a separação é o constante desprezo, insensibilidade e conduta agressiva sem necessariamente ocorrer à violência, de um dos parceiros. O que temos de compreender é que nestes casos a pessoa envolta em dito comportamento está totalmente impossibilitada para a troca ou proporcionar prazer para seu par. Não priorizar o ser que uma vez se jurou amar, significa que o lado sombrio se apoderou da relação, e a partir disto à provocação é a tônica, pois o objetivo no plano afetivo se tornou apenas afetar o outro. Enfim, peço desculpas por estar sendo repetitivo, mas o fato é que na atualidade um relacionamento se parece totalmente com a injustiça social vigente, carência, exclusão, abandono, miséria e privação. Todos os elementos que assistimos diariamente no universo sociológico povoam nosso psiquismo; não há mais uma fronteira delineada entre o público e privado quando o assunto é conflito, frustração e perda; talvez por tal fato é que as pessoas se agarram a cada dia num materialismo supérfluo, tentando provarem a si mesmas que possuem algo exclusivo, pois sabem que sua individualidade há muito foi ameaçada e danificada. A terrível experiência da separação não tem como espólio apenas o drama da solidão, mas a incerteza e incapacidade de reflexão profunda sobre as falhas individuais de ambos os parceiros. O papel do psicólogo é crucial nesta etapa, até para que seja um primeiro treino para ambos exporem sua individualidade perante um terceiro, já que o farão perante um tribunal muitas vezes completamente insensível em relação ao sofrimento do casal. Aliás, tenho constatado diversas queixas de pacientes sobre tal aspecto, e lhes digo que o dia “macabro” da oficialização da separação representa a somatória de toda insensibilidade de anos despejada naquele momento. Para muitos apenas nessa hora é quando irá se revelar à gravidade da situação; e como todos sabem nosso sistema apenas está interessado em bens e coisas do gênero, nunca em como as pessoas irão enfrentar tal derrocada; então o dia da separação é transformado em velório para ambos, independentemente se queriam ou não o afastamento. Esse sadismo institucional já foi objeto de diversos estudos e críticas, mas infelizmente as coisas continuam da mesma forma.



Resta apenas para ambos tentarem investir numa maturidade que proporcione um fim pacífico a algo que foi extremamente conturbado, não pelos filhos em si, mas para preservarem pelo menos uma futura amizade, ainda que seja tênue, pois do contrário se criou o “mausoléu” da desgraça afetiva para ambos, com endereço sempre certo em nossa mente coração e memória. Não seria tolo de achar que tal tarefa é simples, pois a experiência prova exatamente o contrário; o quanto difícil é a continuidade de algo que se desgastou afetiva e sexualmente. Mas não estaria na hora de uma pequena evolução no tocante ao mais fácil sentimento humano que é o ódio?

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